Pé de moleque, canjica, curau, pamonha, bolo de milho, quentão, bandeirinhas, fogueira, chapéu de palha, sanfona e arraiá. Sim, estamos falando de festa junina. Todo mês de junho é assim: tiramos do armário as camisas xadrez e os vestidos de chita, pintamos sardinhas nas meninas e bigodinhos nos meninos e vamos satisfeitos para a festa na escola, pensando em todos os quitutes deliciosos que nos aguardam.Esquecemos o principal: o significado da festa. Você conhece as origens das festas juninas? Sabe por que comemos tantas iguarias de milho e de onde vêm as danças? E o colégio do seu filho, aproveita as festas juninas para preencher buracos na grade horária e engordar o caixa ou utiliza os festejos para ensinar alguma coisa para as crianças?
O intuito deste artigo é justamente isso, para que vocês conheçam um pouco mais sobre o significado da festa e dos principais símbolos.
A Origem da festa
Hoje pouca gente sabe que essas festas cristãs vêm de muito tempo atrás da nossa época.
Tudo fazia parte dos rituais agrários das primeiras civilizações européias, festas essas que faziam os Celtas (povo de raça indo-européia).
O dia 24 de junho que hoje é dedicado a São João Batista, era o dia do solstício de verão (época em que o sol passa por sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual cessa de afastar-se do equador). No hemisfério norte, fenômeno astronômico que significava o momento da viagem do sol quando, depois de ir subindo dia a dia cada vez mais alto no céu, ele para e faz o caminho de volta, pois a vida daquela comunidade era regida por fenômeno astronômico. Eles acreditavam que nesses momentos abriam-se as portas em que se comunicavam o reino da terra com o reino do céu, e assim que as almas dos mortos podiam visitar seus lares para se aquecerem junto à fogueira, e que eles se reconfortariam com as homenagens de seus velhos amigos e parentes. Eles dançavam, cantavam, comia e bebia ao redor da fogueira para todas as almas amigas que acreditavam estarem ao seu redor.
Estas festas tinham uma importância tão grande e tão forte que foi ai então que a igreja cristã dos primeiros séculos resolveu a criar um significado cristão, surgindo assim que a fogueira do dia 24 de junho seria em homenagem ao aniversario de São João Batista, o santo que batizou Jesus.
João Batista nasceu no dia 24 de junho, alguns anos antes do seu primo Jesus Cristo, e morreu no dia 29 de agosto do ano 31 depois de Cristo na Palestina. Ele ocupa papel importante nas festas, pois entre os santos de junho, foi ele que deu ao mês o seu nome, pois assim ficou como festas “Joaninas”.
Existe também uma lenda do surgimento da fogueira de São João, dizem que Santa Izabel quando ficou sabendo que estava grávida de João, foi contar a novidade para Nossa Senhora e contou-lhe que estava grávida, e que dentro algum tempo nasceria seu filho e que se chamaria João Batista. Nossa Senhora ficou contente e lhe perguntou como poderia saber do seu nascimento. Então Santa Izabel falou que acenderia uma fogueira bem grande, pois assim poderia ver de longe e saberia então que João nasceu. E que também erguer um mastro com uma boneca sobre ele. E assim no dia 24 de junho Santa Izabel cumpriu o que prometeu, assim que Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira foi até la e constatou que João havia nascido.
Em Portugal foi incluídas a festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua no dia 13 de junho, e a tradição cristã completou com os festejos de São Pedro e São Paulo, ambos apóstolos que são homenageados no dia 29 de junho completando assim o mês dos Santos.
Quando os portugueses vieram para o Brasil em 1500, acreditam que os jesuítas acendiam fogueiras e tochas em junho, chamando atenção sobre os indígenas. As comunidades indígenas faziam danças, cantos e rezas, eles rezavam forte, pois acreditavam que os espíritos malignos poderiam impedir a fertilidade, então rezavam para que não acontecesse isso.
Houve também o propósito católico de atrair os índios ao convívio missionário e as praticas dos rituais indígenas simbolizadas pelas fogueiras de São João, por isso a importância que se tem até hoje as festas juninas.
Santo Antônio conhecido como casamenteiro, cujo seu nome é Fernando de Bulhões, nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195 e faleceu em Pádua na Itália em 13 de junho de 1231, recebeu o nome de Antônio ao passar em 1220 da Ordem de Santo Agostinho para a Ordem de São Francisco e é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua . No dia 13 de junho se festeja o dia de Santo Antônio e é um dos santos de maior devoção popular no Brasil e em Portugal. Ele era admirado por ser um ótimo orador, pois quando pregava a palavra de Deus ele era entendido até pelos estrangeiros, ele é o santo da família e protetor dos varejistas, e também protetor dos povos e dos soldados. É a ele que as moças ansiosas pedem um noivo. A pratica de colocar o santo de cabeça para baixo no sereno ou jogá-lo no fundo do poço até que o pedido seja atendido são bastante comuns entre os devotos. Existem varias simpatias e adivinhações na véspera de Santo Antônio.
São Pedro é considerado o fundador da igreja católica. Apostolo e pescador do Lago de Genezareth, cativa seus devotos pela sua historia, homem de origem humilde ele apostolo de Cristo, protetor das viúvas e dos pescadores. São Pedro é festejado no dia 29 de junho com a realização de procissões marítimas em varias cidades do Brasil, e em terra os fogos e o pau-de-sebo são as principais atrações de sua festa. Depois da sua morte, foi nomeado chaveiro do céu, pois para entrar no céu é necessário que São Pedro abra as portas, também é atribuída a responsabilidade de fazer chover. Antigamente as mães diziam para as crianças que quando se escutavam trovão, elas falavam que a barriga de São Pedro estava roncando ou que São Pedro estava arrastando os móveis , e as crianças se acalmavam.
A quadrilha é uma dança que surgiu em Paris no século XVII, é uma adaptação da contry dause inglesa, segundo os estudos ela foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez sucesso nos salões brasileiros no século XIX principalmente no Rio de Janeiro sede da corte. Depois chegando no gosto do povo que a modificou inclusive a musica.
Os Símbolos e Significados
Fogueira: Representa proteção contra os maus espíritos, acredita-se purificar o local e sinal de agradecimentos aos santos.
Fogos de artifícios: Leva para longe os maus espíritos.
Quadrilha: Dança típica francesa, tem o significado de agradecimento aos santos juninos que são: Santo Antônio, São João e São Pedro. Aqui no Brasil a quadrilha ficou popular e atualmente é dançada ao ar livre.
Casamento: Acredita-se que o casamento simboliza uma homenagem a uma jovem francesa, que ficou grávida e foi obrigada a casar.
Mastro: Outro símbolo que está relacionado com a fé, o mastro está ligado aos cultos agrários, onde eram realizados agradecimentos à fecundação das sementes.
Bandeirinhas: No início das comemorações da Festa Junina os desenhos de santos ou frases religiosas eram lugar certo nas bandeirinhas, hoje vemos apenas cores nada mais.
Pau de Sebo: É um mastro untado de sebo com um prêmio no topo, para quem alcançar.
Lavagem do santo: Normalmente é feito antes da meia noite, a imagem é molhada num lago ou riacho com uma bacia d’agua, logo após banha-se as mãos, pés ou outra parte do corpo para buscar proteção divina.
Simpatias: Como de costume essa época do ano atrai muitas pessoas que acreditam e buscam simpatias, seja para trazer sorte no amor, etc.
Jogos de Festa Junina:
Tiro ao alvo;
Pescaria;
Boca do palhaço;
Valeta;
Argola.
Bem, espero que vocês tenham gostado, caso tenham alguma sugestão que acrescente e retribua ainda mais com a qualidade do texto para todos leitores sintam-se a vontade.
BOAS FESTAS PARA TODOS !
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